quarta-feira, 5 de março de 2014

Os Caçadores de Vênus - Livro

     Olá pessoal. Hoje irei falar um pouco de um dos melhores livro que li ano passado, Os Caçadores de Vênus, da escritora e historiadora Andrea Wulf. Em 1687, Isaac Newton revolucionou o mundo ao publicar a sua obra-prima Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, e logo após cientistas do mundo inteiro começaram a aplicar os princípios de gravidade e movimento para prever os movimentos dos corpos celestes. O primeiro deles foi o astrônomo e matemático britânico Edmond Halley (sim, o do cometa), que teorizou que os cometas seriam corpos periódicos, e em 1696 previu que o cometa Halley (na época ainda não era chamado assim) voltaria a ser visto em 1758 (e acertou em cheio). Em 1716 ele mostrou como a distância entre Terra e Sol poderia ser calculada através da passagem de Vênus entre o Sol e a Terra. Esse evento ocorreria em 1761 e, em seguida, em 1769. Após isso passariam mais de cem anos para que ocorresse novamente. Halley, nascido em 1656, provavelmente não estaria vivo para ver o transito de Vênus (1761-69), então ele publicou um ensaio de 10 páginas em que conclamava os cientistas a se reunirem num projeto que abarcaria todo o planeta, e que poderia modificar o mundo da ciência para sempre. E é essa a história desse livro, o primeiro Grande Empreendimento Cientifico.
     Como as órbitas de Vênus e da Terra possuem inclinações diferentes, Vênus normalmente aparece acima ou abaixo do Sol (e portanto não pode ser visto da Terra). Halley previu que no dia 6 de junho de 1761 Vênus passaria na frente do Sol, e durante algumas horas a estrela brilhante apareceria como um círculo negro perfeito. Ele acreditava que, medindo o tempo exato e a duração desse raro encontro celeste, os astrônomos poderiam obter dados necessários para calcular a distância entre a Terra e o Sol. Halley explicou que era essencial que diversas pessoas em lugares diferentes, em todo mundo, medissem o raro encontro ao mesmo tempo. Não bastava ver a passagem de Vênus apenas na Europa, os astrônomos precisariam viajar a lugares remotos, tanto no hemisfério norte quanto no sul, e somente se eles combinassem esses resultados poderiam alcançar uma compreensão matemática precisa do sistema solar.
     Então no dia 30 de abril de 1760, o astrônomo oficial da Marinha Francesa Joseph-Nicolas Deslile digiriu-se a uma reunião da Academie des Sciences, em Paris. A partir desse encontro, eles teriam pouco mais de 1 ano para organizar as viagens de 12 cientistas ao redor do globo que enfrentarão tempestades, terremotos, doenças e até a morte para realizar a Maior Expedição Científica realizada até então.
     O livro é divido em 2 partes, o trânsito de 1761 e o trânsito de 1769, e conta relatos das aventuras dos cientistas que viajaram aos lugares mais distantes do globo para poder registrar esse raro evento astronômico. Baseado em diários de bordo, registros científicos e relatos históricos, de um tempo em que fazer ciência era uma aventura a la Indiana Jones, um tempo onde homens embarcavam em viagens ao desconhecido.
     Esse não é um livro só sobre astronomia, é um livro sobre aventuras, descobertas e amor pela ciência. De leitura fácil irá agradar qualquer pessoa que tiver curiosidade suficiente para dar uma chance a ele. Recomendo!


"Devemos mostrar que somos melhores, e que a ciência fez mais pela humanidade do que a Graça suficiente ou Divina."
                                                                                                    Denis Diderot

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